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AMIGA COLECIONADORA

Oi! Tudo bem ?

Estou trazendo hoje uma colecionadora que sou fã demais, há bastante tempo: a Bel Miranda!!

Eu adoro as fotos que a Bel faz, ela monta cenários lindos, cheios de personalidade nordestina. Com essas produções, às vezes, elaboradas, às vezes, simples, tudo fica um amor. Também já aprendi muita coisa legal e interessante nos vídeos que a Bel posta em seu canal do YouTube. Pois é, como boa fã que sou, sigo todas as suas redes sociais e compartilho aqui com você.

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1. Oi, você pode se apresentar ?

Oi, gente, eu sou a Bel Colecionadora, moro em Fortaleza - CE e sempre tenho o maior prazer em poder viver e compartilhar mais sobre esse hobby que me faz tão feliz.
Tenho várias paixões na vida, como a Dança, que também é a minha profissão; jogos de tabuleiros, um vício bom que comecei graças ao marido; e é claro, minhas amadas bonecas e todo o mundo mágico que elas me proporcionam.


2. Quando e por que você iniciou sua coleção de bonecas ?

Em 2009, quando conheci pessoalmente a coleção de Pullips da Leila Diniz, na época minha futura cunhada, foi amor a primeira vista, cada boneca que ela tirava da bolsa eu ficava mais encantada e comecei a sonhar com a minha também. Pesquisei bastante sobre elas na internet e com o apoio do Cleidson, meu namorado na época, escolhi uma menina pra mim como presente de Natal, foi emocionante.


3. Quantos bonecos você tem em sua coleção ? Qual foi o primeiro ?

Minha primeira boneca e xodozinha é a Beatrice, uma Pullip Shanria. Bom são quase 10 anos de coleção e nesse tempo já trouxe muitas pra casa rsrsrs, entre Pullips e vários outros modelos de bonecas: Blythes, Moranguinhos, BJD, MH (Monster High), EAH (Ever After High), Barbies, porque, gente, eu gosto de tantos modelos diferentes, minha coleção é pura diversidade.


4. Em sua coleção existe a mais querida ?

Nossa, que difícil, será que vou me comprometer rsrsrs porque às vezes a gente vai mudando de opinião, mas existem sim as preferidas de cada modelo. Vou mandar as fotos delas pra vocês verem que amorzinhas.


5. Onde e como você as guarda ?

Atualmente guardo a coleção de Pullips e família numa cristaleira linda, as Blythes e EAH em um móvel vertical com vários nichos e as MH e Moranguinhos no armário. Tenho mania de guardar as do mesmo modelo juntas, como se fosse um local para cada coleção, bom pelo menos a gente tenta.


6. Que tipo de boneca você prefere ?

Não consigo escolher uma apenas, gosto das características diferentes em cada boneca, mas tenho que confessar que as Pullips nunca vão perder o lugarzinho mais especial por serem as primeiras da coleção.


7. Você já precisou fazer algo engraçado ou curioso para conseguir alguma boneca ?

Que eu me lembre não, só os clássicos momentos que aquele dinheiro economizado para outras coisas acaba indo embora pra chegar uma nova boneca dos sonhos rsrsrs


8. Você personaliza suas bonecas ?

Normalmente quando eu trago uma para a coleção é justamente porque amei as características dela, poucas comprei pensando em mudar totalmente. Mas algumas eu personalizo sim, mudo cabelo, corpo, vai depender da boneca, mas sempre tenho receio de fazer algo ousado, prefiro deixar para os profissionais.


9.Qual a última boneca a chegar em sua coleção ?

Foi uma Barbie Fashionista de cabelo lilás lindíssima, estou amando essas novas bonecas com rostos diferentes e roupas modernas, sem falar que elas são menos frágeis que algumas bonecas da coleção e assim posso levar pra tirar fotos em todo lugar sem receio de estragar.


10. Você tem uma lista de bonecas desejadas ? Se sim, poderia citar ?

Tenho duas Pullips que ainda sonho na coleção: Pullip Froggy e Pullip Kirakishou, a primeira versão. Adoraria ter mais Jerry Berry Dolls, acho elas encantadoras e só tenho uma. Uma Barbie Made To Move Negra e... é melhor parar, né, porque é cada sonho de consumo rsrs


11. Você põe limite em sua coleção ?

Sim, gosto de impor um valor máximo que pagaria por cada modelo, preciso de um freio rsrs, mas é claro, às vezes faço umas loucurinhas. Também tento não repetir cores de cabelos, por exemplo ou comprar bonecas muito parecidas, outra coisa é comprar além do que ficaria bonito expor no espaço que separo para elas, não gosto de ver a coleção desorganizada.


12. Entre as atribuições de colecionadora de bonecas, qual atividade você mais gosta de fazer ?

Com certeza me divertir com as fotos e a interação com outras pessoas do hobby. É muito positivo e inspirador ver tanta fofura no meu feed e poder conhecer melhor as pessoas que curtem esse hobby como eu. Sem falar nas possibilidades de se desligar do mundo por alguns momentos e criar um mundinho mágico para as bonecas e suas peripécias.


13. Além de sua atividade como colecionador, você também restaura ou customiza ?

Acho que a maioria dos colecionadores acaba se aventurando um pouco no restauro ou customização, porque colecionar não é só ver a boneca chegar e guardar, você precisa manter elas conservadas e lindas. Infelizmente o tempo também é cruel com elas, por isso sempre tenho que estar arrumando uma coisa ou outra nelas, mas claro, não sou uma profissional.


14. Você tem alguma outra coleção ? Qual ?

Sim, tenho uma mini coleção de enfeites e pelúcias de sapos, filmes de dança e minhas amadas bonecas, claro rsrs


15. Você  já  sofreu algum  preconceito por ser colecionadora de bonecas ?

Com certeza, mas sinceramente os julgamentos não me afetam,só estou curtindo algo que me faz bem e que não atrapalha a vida de ninguém. Bora ser feliz, gente!   



Bel
Me dá um autógrafo ? rsrs
Obrigada, minha querida!!  Desejo 
que você conquiste suas desejadas dollzinhas 
e que sua vida seja suave e plena com uma valsa.
Grata de coração!









Abraço fraterno.
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DÉBORA - UMA DOCE COMPANHEIRA

Oi! Tudo bem ?

Você gosta mais das bonecas loiras ou das bonecas morenas ?


Acredito que existe um percentual bem maior de bonecas loiras, provavelmente por preferência dos compradores. Veja a minha Kati loira platinada, eu a acho linda e já falei sobre ela Aqui.

Mas quando vejo uma boneca morena, fico louca. Então, imagine como fiquei ao ver a Débora, que além de ser morena, é nova, grande e lindíssima!!


A Débora foi fabricada pela Brinquedos Estrela nos anos 80. Por não ter encontrado nenhuma imagem de catálogo ou caixa, a informação não poderá ser exata quanto ao ano de fabricação e como seria sua roupa original. Comprei do Alexandre Signorini e ela chegou com cheirinho de boneca nova, recém tirada da caixa, com três roupinhas que ele mesmo confeccionou, esse macacão, o vestido rosa e um outro vestido réplica da boneca Rita, de 1983. Os sapatinhos são originais.  


Débora mede 63cm. Seus cabelos são enraizados, penteáveis, brilhantes e macios. Os fios são em dois tons de castanho, o que cria um lindo efeito. Sua cabeça é de Vi-vinil, mas seu corpo, braços e pernas são de plástico inquebrável. Articulação padrão. Possui olhos de dormir azuis, cílios superiores enraizados, sobrancelhas e cílios inferiores pintados. Levemente maquiada.


Eu não conhecia a Débora, então não foi uma boneca desejada para a coleção. Ela está comigo porque é realmente uma bela boneca e gostei de imediato.


Débora não é uma boneca de alto padrão como a Kati, que tem cabeça e braços de Vi-vinil (entre muitas outras qualidades), ela é que chamam de "Boneca popular". Suas mãos por serem de plástico, apresenta aquele acabamento "costurado". Observe as mãozinhas da Débora e da Les Gilrs, outra boneca que tem os membros de Vi-vinil, e perceba do que estou falando. Existe uma grande diferença entre esses materiais e consequentemente, no resultado final, que determina o valor de cada boneca.


O cabelo da Débora é de boa qualidade, mas deixa a desejar na quantidade, sendo necessário alguns truques de penteado para que não apareça seu couro cabeludo em certos locais. Mas posso afirmar que, mesmo com esses pontos negativos, ela é mais uma criação maravilhosa da Brinquedos Estrela.

Detalhes

Aceita um café ?

Minha linda Débora teve o seu nome mantido, pois gostei do significado "abelha laboriosa". Um simpático nome de origem hebraica.

Não é digno de saborear o mel aquele que se afasta
da colmeia por medo das picadas da abelha.
(William Shakespeare) 

Abraço fraterno.
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AMIGA COLECIONADORA

Oi! Tudo bem ?

Hoje é quarta-feira e eu estou muito feliz por trazer a entrevista de outra amiga colecionadora. 

A Sandra mora na mesma cidade que eu, Recife. Nos conhecemos no grupo de bonequeiras daqui, em 2018. Quando perguntei se ela topava ser entrevistada, não imaginava que ela iria apresentar uma coleção tão diversificada e valiosa, e ideias tão instigantes para o colecionismo de bonecas. Foi uma surpresa maravilhosa!! Isso só reafirma a importância de nos conhecermos mais e mais. 

* * * * *

1. Oi, você pode se apresentar ?

Olá, sou a Sandra Helena, conhecida no mundo do colecionismo como Luz Sanhelen ou Sanhelen. Sou designer de formação. Tenho especializações em Gestão de TI e Artes Visuais. De quebra, fiz um mestrado na área de Gestão Pública. Já atuei como professora de Publicidade e Propaganda. Fiz concurso público para uma Instituição Pública Federal, vinculada ao MEC, onde atuo atualmente com inovação e educação a distância. Em outros caminhos que sigo, atuo na área de terapia quântica e nutrição celular. Ou seja, um blend, uma multiplicidade de ações. E ainda como acho pouco, vivo criando projetos com as bonecas.


2. Quando e por que você começou sua coleção de bonecas ?

Há 10 anos atrás, participei de um curso de fotografia criativa e como trabalho de curso resolvi fotografar Barbies. Comprei uma Barbie de coleção, a Marilyn Monroe. Me encantei com as possibilidades de criação em fotografia de bonecas. Nesse período, encontro um fotógrafo que mensionava a boneca Blythe como muito fotogênica pra foto e saí em busca de uma. A primeira Blythe que adquiri, achei horrível com aquele cabeção e não fotografei. Guardei por um tempo, até que fiz uma viagem e levei ela comigo para fotografar. Surgiu daí a paixão, não só de fotografar mais bonecas, mas também de colecionar. A partir das Blythes veio a coleção de bonecas de porcelana, as bonecas de época, de pano e uma multiplicidade de modelos. Criei então o Estúdio Sanhelen.


3. Quantos bonecos tem em sua coleção ? 

Pergunta difícil porque não cataloguei ainda, mas em números por alto, em média 100 Blythes, 56 bonecas de porcelana alemã, mais de 100 Barbies (não sei o número definido), bonecas dos anos 60 e 70 mais de 30, bonecos de pelúcia mais de 10 caixas com milhares dentro, umas 50 bonecas Poli e muitas bonecas como Pullips, Tayengs, Dals, entre outras de BJD (importadas). Muitas ainda na caixa, nunca abertas. Fora a coleção Nordeste com peças de barro e bonecas de pano. Tenho bonecas de todo tamanho e tipos.


4. Qual a boneca da sua coleção que é a mais querida ?

É difícil responder, todas são queridas, mas existe uma Blythe com olho de vidro que gosto bastante.


5. Onde e como você as guarda ?

Quando comecei a colecionar efetivamente, tinha o sonho de criar uma Casa Museu da Boneca do Nordeste, e quem sabe daqui a uns 5 anos não realizo ? Como a Casa Museu era um projeto a longo prazo, fiz então o Estúdio Sanhelen, um espaço só para as bonecas, onde as mesmas ficavam em vitrines bem guardadas, numa sala com ar condicionado. Um anexo da minha casa, que era meu escritório de design, se transformou nesse espaço de bonecas. No momento estou reorganizando minha vida e o Estúdio Sanhelen foi desmontado e está no momento sendo criado o Apeliêr das Dolls. Uma nova forma de pensar minha coleção. 


6. Que tipo de bonecas você prefere ?

As Blythes ficaram como as favoritas pela questão delas serem ótimas para foto e existir toda uma cultura (moda, fotografia e design) em cima delas. As Blythes são encantadoras e minha coleção conta a história delas no Brasil.

7. Você já precisou fazer alguma coisa engraçada ou curiosa para conseguir uma boneca ?

Não. Já fiz loucura para adquirir a Blythe mais antiga, a Kenner, primeira edição das Blythes. A loucura se refere ao investimento que fiz.


8. Você personaliza suas bonecas ?

Como minha intenção passou a ser de colecionar com o objetivo de tê-las catalogadas para um futuro Museu da Boneca, as minhas bonecas são mais itens de coleção do que propriamente bonecas de brincar. Mas tenho muitas Blythes personalizadas que agregam valor à coleção.


9. Qual a última boneca que chegou em sua coleção ?

Sempre chega boneca. Poderia dizer... dia sim, outro também rsrsrs. Mas, falando sério, a última compra foi um Bam-Bam muito fofo. Neste momento da entrevista, já tem boneco encomendado.


10. Você tem uma lista de bonecos desejados ? Se sim, pode citar ?

As Susis dos Anos 60, olhos pintados e as Susis dos Anos 70. Amo suas roupas e as bonecas tenho muita afetividade, mas tenho poucas por conta do valor comercial delas. Meu sonho é a Susi Mexicana e a Susi Baiana.

11. Você coloca um limite em sua coleção ?

Neste momento estou limitando, mas é por um período. Preciso catalogar o que tenho.


12. Entre as atribuições de colecionador de bonecas, qual a atividade que você mais gosta de fazer ?

Adoro pentear os cabelos delas e deixá-las sempre limpas. Banho é comigo mesmo!


13. Além de sua atividade como colecionador, você também restaura ou customiza ?

Já customizei, mas vou ser sincera: tenho preguiça de customizar. Dá muito trabalho por conta dos detalhes. Sou perfeccionista.


14. Você coleciona alguma outra coisa ?

Adoraria colecionar muitas outras coisas, mas fica difícil, procuro evitar. Coleciono itens relacionados as bonecas como roupas, móveis, sapatos, bolsas.



Sandra
Agradeço de coração você ter compartilhado aqui uma pequena
 parte da sua coleção, da sua história e de seus sonhos.
Que o universo conspire sempre para sua felicidade!!


Contato de Sandra
Facebook Aqui    

Abraço fraterno.
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ZEZÉ, QUEM É VOCÊ ?

Oi! Tudo bem ?

Hoje quero te encantar com uma linda boneca de pele negra e maravilhosos olhos cor de mel, a Zezé. 


Infelizmente, mais uma vez me deparei com a ausência de fonte de informações a respeito de uma boneca. Quando falo fonte de informações, me refiro a imagens de catálogos, propagandas ou até da caixa, pois é desses materiais que podemos extrair informações concretas sobre o brinquedo. Meses atrás, a Ana Caldatto (Aqui) nos trouxe algumas informações a respeito da Zezé e infelizmente nenhuma outra novidade surgiu. 



Só para mostrar como é difícil essa coleta de dados, entrei em contato com a Brinquedos Estrela, por mais de uma vez, através do Messenger e Instagram, e os funcionários que me atenderam, responderam que eles não possuem mais os catálogos de várias bonecas, inclusive da Zezé.

Então, só me resta descrever fisicamente a minha Zezé e aguardar que alguma pessoa que tenha mais dados, compartilhe com os colecionadores. Algumas dúvidas a respeito dela são ano de fabricação e nome.


Como falei, a Zezé não consta em nenhum catálogo que tive acesso, mas em seu blog, a Ana nos mostra em uma postagem que a Chuchuca, de 1982, é semelhante a Zezé. Só que a Chuchuca é uma boneca com cor de pele branca. Seria a Zezé uma Chuchuca negra ? Em toda pesquisa que fiz, só encontrei ela com o nome Zezé.

Observe no catálogo que a roupa da Chuchuca é idêntica a roupa da Zezé. Fora essa semelhança, observam-se outras igualmente importantes como tamanho, material utilizado, características físicas.


Zezé mede 42cm, sua cabeça é de Vi-vinil, mas o restante do corpo é plástico inquebrável. Seus cabelos são cacheados e enraizados. Possui olhos de dormir cor de mel lindíssimos, cílios enraizados, sobrancelhas pintadas e uma leve maquiagem nas bochechas. Ela possui choro e é articulada. Bebe água e faz xixi. Ela deveria ter uma mamadeira que a minha não tem.

Comprei a minha no Mercado Livre e ela chegou razoavelmente bem conservada, com a roupa de lã original, mas sem sapatos, mamadeira e correntinha. Os cabelos na frente tinham caído, o choro e a face ressecada. Ao pegar nela, a tampa do choro partiu, mas ainda funciona. Na face usei um verniz em spray, mas ficou muito brilhante e pegajoso, acho que exagerei. Resolvi deixá-la desse jeito para não danificar mais. Às vezes, é melhor não mexer muito. O vestido vermelho, o chapéu e os sapatinhos foram confeccionados por Lana Araújo (Aqui).

Pequenos detalhes

Linda, não é ? Olha ela de papo com Izadora, minha namoradeira de barro. ❤


E já que estou apresentando essa linda boneca que representa o povo preto, quero contar a história de uma menina aventureira criada a partir de pesquisas sobre o Oeste Africano.


OBAX

Quando o sol acorda no céu das savanas, uma luz fina se espalha sobre a vegetação escura e rasteira. O dia aquece, enquanto os homens lavram a terra e as mulheres cuidam dos afazeres domésticos e das crianças. Ao anoitecer, tudo volta a se encher de vazio, e o silêncio negro se transforma num ótimo companheiro para compartilhar histórias.

Ali morava a pequena Obax.


Para uma criança, viver numa paisagem como aquela pode ser perigoso. Mas Obax não tinha medo. Corria pela planície em busca de aventuras e depois retornava com os olhinhos brilhantes. As histórias eram muitas.

Ela já havia caçado ovos de avestruz. Conhecido elegantes girafas. Apostado corrida com antílopes e enfrentado ferozes crocodilos.

Ninguém se importava. Obax vivia muito solitária, tinha poucos amigos e inventar aquelas histórias devia ser sua melhor brincadeira.

Uma vez, Obax contou ter visto cair do céu uma chuva de flores.

- Nossa, e você se molhou ? - caçoaram as crianças.

- Onde foi isso ? - duvidaram os mais velhos.

- Calma, gente, é por isso que ela está tão cheirosa - disse a mãe, abraçando a filha.

As histórias, como contam os contadores na África, são sagradas. Mas algumas invenções de Obax eram demais. Todos riram.

Como poderiam chover flores onde pouco chove água ?

Obax, muito triste, correu pelas savanas e jurou nunca mais contar suas aventuras. Mas guardar tudo aquilo para si mesma não era bom. Então, ao tropeçar numa pequena pedra em forma de elefante, Obax teve uma grande ideia. Partiria pelo mundo afora, pois em algum lugar ela haveria de encontrar novamente uma chuva de flores. Sabendo onde, como e quando, ela poderia provar a todos que sua história era verdadeira.

Claro, o trajeto seria lento, difícil e tortuoso se ela não tivesse pedido ajuda a seu grande amigo, Nafisa, um elefante que havia se perdido da manada e vivia sozinho pelas savanas.


Nafisa se abaixou e Obax subiu em suas costas para uma longa aventura.

Seguiram por estradas de areia que pareciam não ter fim, subiram e desceram montanhas, atravessaram a nado rios e mares. Conheceram também grandes aldeias e cidades.

Obax e Nafisa viram chuva de água, chuva de pedras, chuva de estrelas, chuva de folhas quando o vento estava agitado; e nos lugares mais frios, viram chuva de flocos de algodão. Quando perceberam, eles haviam dado a volta ao mundo e estavam novamente no ponto de partida: a savana. Mas não encontraram sequer uma chuva de flores.

Era madrugada quando regressaram à aldeia. Em casa, os mais velhos estavam aflitos com o sumiço de Obax. Mas se fartaram de alegria ao vê-la entrar e contar as novidades. A menina tagarelava sem parar:

- Você deu a volta ao mundo nas costas de um elefante ? - duvidaram os mais velhos.

- E ele veio com você ? - debocharam as crianças.

- Essa menina conta cada história! - brincou a mãe, ajeitando os birotes em sua cabeça.

Porém, desta vez, Obax não se entristeceu. Nem poderia, Nafisa provaria tudo.

- Vamos lá fora - disse ela.

Ao saírem da cabana, não viram nada. Nem perto, nem longe. Nem mesmo uma pegada se espalhava pela areia. Só havia no chão uma pequena pedra em forma de elefante.

- Você é mesmo boa de histórias - disse um menino -, nós quase acreditamos.

Obax ficou furiosa e com tanta raiva, que enterrou a pedra no chão para que ninguém nunca mais zombasse de suas aventuras.

Na manhã seguinte, um bater de asas chamou a atenção de todos. Milhares de pássaros riscavam o céu das savanas.

No lugar onde Obax havia enterrado a pedra, havia nascido um imenso baobá. Mas não era um baobá como os outros, era grosso e forte como um elefante. Seu tronco enrugado parecia estar desenhado com pequenos detalhes. Sua copa estava repleta de flores coloridas e pássaros nunca vistos por ali.


Ninguém acreditava no que os olhos viam. Quando a pequena Obax se aproximou da árvore, os pássaros bateram asas numa agitação tão forte que as flores começaram a cair, enchendo os olhos da menina do mais puro brilho.

Era uma chuva de flores que forrou a aldeia com um tapete de pétalas perfumadas.


Depois daquele dia, todos passaram a prestar atenção nas histórias de Obax. Ela cresceu forte como o baobá, e na sua chuva de lembranças estava Nafisa, seu grande amigo. Hoje, quem se encosta no tronco dessa árvore sagrada procurando repouso é capaz até de sonhar com suas aventuras.

Quem escreveu essa história foi André Neves, recifense que
dedica-se à arte de escrever e ilustrar livros para a infância.



Obax significa "flor" e Nafisa, "pedra preciosa". 
Adorei!!! ❤😃


Kandandu para você, o abraço fraterno angolano.